Quem trabalha com mídias sociais ou as utiliza com frequência já deve ter percebido: nos últimos meses, o Twitter vem perdendo espaço no dia a dia corrido de nossas vidas.

Até o ano passado (…) o Twitter dominava de forma inconteste o volume de menções sobre a maioria das marcas nas redes (…) o microblog era dominado por postagens que sangravam elogios ou críticas exacerbadas a marcas, celebridades ou mesmo usuários comuns. Era como se, ao acessar a rede, o usuário se metamorfoseasse de Dr. Jekyll a Mr. Hyde, adotando uma personalidade virtual pautada pela necessidade de ter opinião forte sobre tudo. Não gostou de um determinado serviço de uma marca? Em vez de entrar em contato com ela, a reação natural era destilar críticas e xingamentos públicos. Isso funcionava e atraía audiência.
Ricardo Almeida (15/10/2012)

Com a expansão absurda do Facebook e a entrada de novos players no mainstream da social media brasileira, como o Pinterest e o Instagram, o Twitter perde relevância como canal de comunicação e relacionamento entre marcas e pessoas. Talvez até mesmo o tímido crescimento do Google+ esteja afetando o pássaro azul.

Comparação: mídias sociais no Brasil *
  2009 2010 2011 2012
Twitter 8,7 9,8 12 12,5
Facebook 5,3 9,6 24 48
Orkut 26 26 35 34,4
* em milhões de visitantes únicos.
Fonte: Secundados

Os clientes não estão interagindo com as marcas no Pinterest ou no Instagram (nem no Google+ esse hábito se solidificou ainda), mas é que a quantidade de manifestações sobre marcas, produtos e serviços – geralmente negativas – tem diminuído mesmo. Além disso, o novo local favorito para interagir com as empresas deixou de ser o Twitter e passou a ser o Facebook, por conta do aumento das representações oficiais das marcas (suas fanpages) e da colossal popularização do Facebook no Brasil.

Top 10 no Brasil

Atualmente, o ranking dos sites mais acessados no Brasil é o seguinte:

  1. Facebook
  2. Google Brasil / Google
  3. YouTube
  4. UOL
  5. Globo
  6. Windows Live
  7. Yahoo!
  8. Twitter
  9. Mercado Livre
  10. Wikipedia

Fonte: Alexa The Web Information Company

Para “sentirmos o drama”: nos EUA, o Facebook ainda está atrás do Google, em segundo lugar.

Uma nova era para as empresas nas mídias sociais

Mas o que isso tudo representa? Na minha opinião, é uma ótima maneira de perceber como a Internet muda rapidamente e, por conta disso, como as antigas e lentas metodologias das empresas não servem mais. Leve em consideração essa natureza cambiante do meio digital e perceba: não dá mais para planejar e definir bem três anos de trabalho na web. Em poucos meses, tudo muda!

Assim, passam a ser características imprescendíveis para o profissional das mídias sociais: capacidade de improvisar, que requer muito bom senso e maturidade; atualização, estar sempre por dentro do que está acontecendo na web e no dia a dia das pessoas (que se reflete na web); benchmark, ou seja, aprender com casos de outras empresas (sem precisar da história esmiuçada); além do que já era vital, como escrever bem e ser um heavy user da Internet.


Vale apontar também para a inevitável utilização das mídias sociais durante o expediente, no local de trabalho: se insistiram em bloquear o acesso por meio dos computadores da empresa, com a popularização dos smartphones com Internet móvel, os “ditadores corporativos” estão agora de mãos atadas. A estimativa é de que estejam circulando por aí 53,9 milhões de aparelhos com acesso 3G, sendo 27 milhões de smartphones. E a tendência é piorar:

Com profissionais e agências mais maduros e experientes, após anos martelando sobre o potencial e a necessidade deste trabalho na cabeça-dura do gestor brasileiro, finalmente chegamos ao primeiro momento de harmonia, de trabalho pacífico e eficiente nas mídias sociais – como apontou Ricardo Almeida no artigo que inspirou este.

A pergunta que fica é: quanto tempo vai durar esta “maré perfeita”?