Executivo da Locaweb ofendeu São Paulo FC no Twitter e foi demitido
O rapaz terminou sua faculdade de Comunicação (seja qual for a área). Ele sempre teve um blog e gostou de escrever. Então, resolveu estudar redação publicitária, webwriting e afins para ser um produtor de conteúdo, desde o institucional até o evidente branded content.

Coletou informações sobre a estrutura de construção do texto, adaptação de acordo com perfil do público, semiótica, relação entre conteúdo e SEO, regras do acordo ortográfico, convergência midiática e narrativa transmídia, estudou cases de sucesso e, quando apareceu o seu primeiro cliente, pesquisou todo o histórico da empresa e suas estratégias de marketing.

No final, os resultados foram péssimos: o público não se identificou com o conteúdo, informações sigilosas vazaram, o cliente sofreu um processo, buzz negativo foi gerado e o investimento retornou prejuízo.

O caso é fictício, mas pode acontecer se faltar apenas um ingrediente neste profissional: bom senso. Ele realmente conhecia toda a teoria necessária para atuar na área, conhecia todas as fórmulas de sucesso, dicas de especialistas e tinha até lido “Administração de Marketing”, a famosa bíblia do Kotler. Mas, ele não sabia o que fazer com toda aquela informação. Ele não sabia como fazer as coisas acontecerem. Quando precisou tomar decisões, não soube escolher.

Utilizou palavras pouco adequadas e estilo inapropriado nos textos e no relacionamento com o cliente, não julgou corretamente os limites do que poderia comunicar e criou uma imagem incoerente com o posicionamento da marca.

 

Mas, afinal, o que é ‘bom senso’?

Bom senso é descrito como uma combinação entre sabedoria e razoabilidade. Este segundo termo, apesar de parecer um neologismo corporativo, é um termo comum na área jurídica. A razoabilidade é a flexibilidade, dentro da lei, de decidir com a razão para escolher as melhores opções possíveis para resolver algum problema, analisando todo o seu contexto e ponderando sobre suas consequências.

Isso é o que muitas vezes falta em um profissional com bastante potencial. Conseguir utilizar sua sabedoria com racionalidade, para conseguir aplicá-la de forma eficiente, antevendo os resultados, com empatia, com feeling, julgando corretamente os melhores caminhos a percorrer.

 

E como desenvolver bom senso?

Basicamente, observando pessoas, situações, comportamentos, resoluções de problemas. Por ser algo muito abstrato, é necessário trabalhar sua capacidade de prever reações dos outros, de interpretar ambiguidades, de compreender detalhes na comunicação (sutis ironias, por exemplo) e aprender como se comportar nas mais diversas situações. Uma grande mistura, não acadêmica, de conhecimentos relacionados à Psicologia, Antropologia, Sociologia e, é claro, Comunicação.

Bom senso é algo tão importante que quem o tem, deveria enfatizar em seu currículo. Mas, é claro, só quem não tiver bom senso o fará. Porque quem tem, sabe que não vai pegar bem.

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